O Eu em Freud ¹ - da psicofisiologia à psicanálise
  Márcio Peter de Souza Leite 
(in Imagem Rainha, Escola Brasileira de Psicanálise, RJ, Ed. Sete Letras, 1995, p.p. 25-35)


• Da inibição ao narcisismo
• Do Isso ao Eu
• Ainda, mais: o Eu cindido


Em relação à prática analítica, fundamentada na obra de Lacan, já houve críticas referindo que esta desconheceria a importância do Eu (moi) no processo da cura. Também muitos desses críticos pensam que o ensino lacaniano se esgota na conceitualização do estádio do espelho. Há porém neste ensino, além de uma relação do Eu com o Imaginário, uma relação do Eu com o Simbólico, e uma relação, menos evidente, que é a do Eu com o Real.

O avanço da conceitualização do Eu em Lacan, foi conseqüência das modificações que sofreram no decurso de sua obra, as noções de objeto e de fantasia. No texto introdutório aos Escritos, intitulado “De nossos antecedentes” [2], Lacan afirma que sua teoria do Eu se fundamenta nos elementos da teorização freudiana do Eu, que seriam segundo Lacan a imagem do próprio corpo e a teoria das identificações.

Os impasses que haviam na articulação feita por Freud entre a relação da consciência com o Eu, e as próprias contradições internas a esta noção, existentes na obra freudiana, fizeram com que Lacan procurasse superá-los, o que ele realizou com a introdução da noção de Sujeito, separando-o da noção de Eu.

O Eu, antes classicamente definido como sede da função percepção-consciência, ao ser retomado por Lacan, aparece como um objeto próprio ao homem, sendo que este tem como particularidade, a relação ao significante. O subjetivo, portanto, desde esta visão se relaciona com a articulação significante e não com a sensibilidade, efeito do sistema percepção-consciência.

A auto-consciência, articulada desde o ensino de Lacan, seria então a intersecção que existe entre a consciência e a percepção que esta tem deste objeto único, próprio a cada um, que se chama Eu. E isto, desde o ensino de Lacan, só é possível mediante a existência de um sujeito, que por sua vez é conseqüência de um sistema significante.

O uso do termo Eu, definido de uma maneira diferente da função gramatical, apareceu principalmente na psicofisiologia do século XIX. Autores como Wundt, Helmholtz e outros, estabeleceram as bases conceituais e experimentais, que posteriormente se englobariam numa disciplina que se pretenderia uma psicologia.

Entre as muitas abordagens da psicologia no século passado, estava a Psicologia Associacionista, que era uma abordagem que explicava o funcionamento mental em termos de associação de idéias. Esta foi a base comum para a especulação psicofisiológica do século XIX, e baseava-se na noção de que as associações seriam produzidas pela facilitação das vias que estabelecem a conexão entre elementos do sistema nervoso.

Influenciado por estas idéias, Freud, no final de 1895, dedicou consideráveis esforços para explicar fisiologicamente os fenômenos psicológicos, o que resultou no texto “Projeto para uma psicologia para neurologistas” [3]. Foi neste texto, dentro do contexto “psicofisiológico”, que Freud propôs pela primeira vez uma formalização de um “Eu”, definido de uma maneira própria à experiência clínica.

Existe até hoje um considerável debate a respeito do uso do termo Eu, muitas vezes apresentado como Ego, que é uma latinização introduzida a partir da tradução da obra de Freud para o inglês, sendo que a isto deve ainda ser acrescentado o termo “Self”, que para alguns autores também é sinônimo de Eu, ou uma especificação deste, como o “Je” é para Lacan, porém, não no mesmo sentido que o anterior. Freud, no início de suas investigações, não desejava limitar sua teoria das neuroses somente a considerações etiológicas, mas esperava desenvolver uma teoria unificada dos processos patológicos, como testemunha o seu texto “Projeto para uma psicologia para neurologistas”, ou melhor, o rascunho sobrevivente desta teorização fisiológica de Freud. Este texto foi escrito em setembro e outubro de 1895 e consiste de três seções: A primeira ocupa-se em estabelecer os alicerces fisiológicos para a inibição psíquica. A segunda pretende dar uma explicação neurodinâmica do recalque e da patogênese da histeria. Na terceira, Freud amplia o modelo neurofisiológico para abranger processos psíquicos tais como o pensamento e a cognição.

Naquele contexto “científico”, aproveitando-se da recente introdução do termo “neurônio” (1891) [5], Freud sugeriu que no recém-nascido o acúmulo de excitação endógena em “psi” [6] geraria unicamente respostas emocionais, como o choro. A eliminação da excitação, para Freud, constituiria o que ele chamou de “experiência de satisfação”, que seria acompanhada pela percepção dos objetos que serviriam a esta satisfação. Então, as associações seriam estabelecidas entre “psi”, a imagem mnêmica dos objetos e a memória da necessidade biológica.

Freud sugeriu que, em conseqüência das associações estabelecidas por estas experiências primitivas de satisfação e o conseqüente acúmulo de excitação endógena, resultaria a passagem de um fluxo “Q” [7], pelas vias facilitadas, para a imagem do objeto desejado. O bebê então alucinaria o objeto desejado e realizaria movimentos em resposta à alucinação, o que porém não produziria satisfação. Freud propôs que a recepção de “Q” endógena, em “psi”, levaria à existência permanente de um corpo de neurônios catexizados em “psi”. Alguns desses neurônios estariam permanentemente catexizados, ao passo que outros possuiriam apenas uma carga temporária.

Neste primeiro esquema especulativo de Freud, este “corpo” de neurônios catexizados é o que constituiria a base fisiológica do Eu. O Eu funcionaria para impedir a alucinação dos objetos desejados e para obter verdadeiras experiências de satisfação. O EU executaria sua tarefa através de um mecanismo que na neurologia se denomina “inibição”. Nas situações em que não há inibição pelo Eu, o que permite a “Q” acumulada gerar alucinações, Freud chamou de “Processo primário”, as atividades psíquicas que são mediadas pela atividade inibitória do Eu, de “Processo secundário”.


Da inibição ao narcisismo

No mesmo ano do “Projeto...”, mesmo tendo formalizado o Eu em termos próprios, Freud ainda falava do Eu de uma maneira pouco especificada. Por exemplo, no seu texto em parceria com Breuer, intitulado “Estudos sobre a histeria”, ainda se referia a das individidum ou die Person, ou seja, Freud ainda fazia uso do termo Eu como representando a personalidade no seu conjunto, embora sempre enfatizasse sua função inibitória.

Mas a prática clínica havia imposto a Freud a necessidade de desmanchar a noção de Eu como uno ou permanente. Também a pretensão de uma explicação fisiológica do psiquismo havia sido abandonada, e o “corpo de neurônios catexizados”, dera lugar ao “corpo erógeno” ou “corpo libidinal”. A clínica, particularmente a clínica do desdobramento da personalidade, fez com que Freud sugerisse a idéia da existência de um conflito psíquico como o causador desse fenômeno, e seria do Eu, de onde partiriam as defesas que resultariam na produção do conflito.

Esta clínica levou Freud progressivamente a diferenciar o Eu da consciência. Freud sugeriu nos “Estudos sobre a histeria” que o Eu estaria “infiltrado” pelo núcleo patógeno inconsciente. O conflito passou então a ser definido pela incompatibilidade de uma representação com o Eu, e Freud sugeriu diferentes mecanismos de defesa, que corresponderiam às diferentes psiconeuroses.

Nesta forma de conceber o funcionamento psíquico, o Eu seria o lugar a ser preservado do conflito pela atividade defensiva. A função do Eu, para Freud, neste momento do seu pensamento continuava, portanto, fundamentalmente inibidora. Porém em 1910, a propósito de um caso de cegueira histérica, apareceu pela primeira vez o Eu fundado na pulsão. Tratava-se, neste momento do desenvolvimento de Freud das pulsões do Eu, identificadas com as pulsões de autoconservação e que teriam um lugar determinante no recalque. Neste texto, intitulado “Perturbações psicogenéticas da visão”, Freud anunciou também as servidões do Eu, isto porque os órgãos estariam tanto a serviço das pulsões sexuais como das de auto-conservação. Freud comenta que não é fácil servir a dois amos ao mesmo tempo, assim, além das funções atribuídas ao Eu por Freud naquela época, que eram, entre outras, o pensamento, a motricidade, a percepção, revelarem serem funções libidinais, a conclusão que a clínica lhe impôs foi de que a sexualidade também estende seu domínio sobre o Eu.

Não foi sem importância que as perturbações da visão fossem a via pela qual o Eu tenha se revelado como objeto libidinal. Existe um privilégio do olhar na constituição do Eu como sendo, antes de tudo, um Eu corporal, mas não só como uma entidade de superfície, mas principalmente, como a projeção desta superfície. O corpo, então, para Freud, antes de tudo e principalmente, é um corpo olhado. Isto já se prenunciava desde a análise que Freud fez do cômico, onde ele demonstrou a consistência libidinal do Eu como decorrente da projeção da imagem do corpo. O cômico põe em evidência a imagem em que o Eu se aliena.

Pela análise do cômico, Freud aproximou-se do outro lado deste, a fascinação pela beleza. O fez utilizando o mito de Narciso, que aparece na teoria pela primeira vez a propósito da explicação da escolha de um objeto homossexual, feito no seu estudo sobre Leonardo da Vinci [11]. Esta referência aparece também na abordagem que Freud fez da psicose, na análise do texto de Schreber [12]. Desta maneira, através do campo escópico, Freud descobriu o Eros unificador do narcísico. Pois está na própria essência do mito de Narciso, amarrar o olhar, com a unidade amorosa. Quer dizer, a teoria do narcisismo implica que um corpo só se toma sexualizado porque se oferece ao olhar do outro. O Eu passou assim, desde esta nova concepção, a ser definido como objeto de amor, o Eu passa a ser o objeto das pulsões e o narcísico é tomar-se a si mesmo como objeto de amor. Portanto o Eu não poderia ser preexistente, nem poderia ser o resultado de uma diferenciação progressiva, como querem entender algumas correntes psicanalíticas, principalmente a kleiniana. Para que o Eu exista, diz literalmente Freud no texto principal sobre sua concepção do Eu, que é “para introduzir o narcísico” [13]: foi necessária uma nova ação psíquica, observação aliás retomada por Lacan na sua teoria do “estádio do espelho”.

Nesta nova maneira de conceber o Eu por Freud, ele passa a ter uma unidade ilusória em relação à fragmentação do auto-erotismo e das pulsões parciais. (Ou do corps morcel é de Lacan, mas não do spliting, de M. Klein) [15]. 0 Eu passou por Freud a ser considerado um grande reservatório de libido, de onde ela é enviada para os objetos, e que também recebe parte da libido que reflui dos objetos, como por exemplo, no trabalho do luto. Também a noção de identificação se modificou e se enriqueceu, pois a identificação, com esta nova noção de narcísico, passou de uma ação intra-objetiva a um acontecimento intra-subjetivo, pois ela passou a ser mediada pelo Eu.

Seria mais tarde com a abordagem da melancolia [16] onde Freud precisaria de que maneira o Eu se modifica pela identificação, produzindo a possibilidade de se pensar um Eu que não apenas seria remodelado pelas identificações secundárias, mas que se constituiria já desde sua origem, por uma identificação que toma como protótipo a incorporação oral. Neste ponto particular, Lacan sendo fiel ao sentido e não à letra de Freud, na sua teoria do estádio do espelho, articulará a identificação primária, fundante do Eu, como identificação à Imagem do semelhante, e não como incorporação oral, mantendo a identificação no campo do escópico, o que para Freud seria a identificação histérica. Haveria também que se apontar, que estas considerações de Freud sobre o Eu e sua origem narcisista também prenunciam o que depois se formalizará como a relação falo-castração, o que Freud fez nos próximos anos. De fato, em Freud, o falo estará sempre equacionado ao narcisismo, pois a posição narcisista correspondendo ao desejo da mãe implica que castração e narcisismo sejam termos que estejam sempre em estreita relação. É quando a criança aparece como falo da mãe, que ela aparece em posição de objeto, e a impossibilidade de que a imagem do próprio corpo preencha a falta da mãe introduz a ferida narcísica, que o fará substituir a mãe por outros objetos, que o façam sentir que completando o outro, se completa.

O caráter libidinal do Eu, com sua teorização pelo narcísico é o que fundamenta em Freud todo o eixo da trama edípica. A constituição do Eu é o acontecimento necessário à castração. É fazendo com que o sujeito responda ao enigma do desejo do outro, oferecendo uma imagem amável, na ilusão de que tal imagem complementaria a falta do outro, que ele se depara sempre, com a impossibilidade da completude, um dos nomes da cifra do seu destino.


Do Isso ao Eu

No entanto sugere-se que a noção de Eu no sentido estritamente psicanalítico, isto é, o Eu entendido de uma maneira “técnica”, só apareceu após o que se convencionou, chamar de “virada teórica” que ocorreu com Freud nos anos 20 [17], com a introdução da pulsão de morte, da noção de masoquismo primário e da “segunda tópica”, que reordenaria as relações entre as instâncias psíquicas desde as novas formulações. Esta mudança, diz-se, teria correspondido a uma re-orientação da prática, que a partir dessas novas conceitualizações teóricas, teria passado a privilegiar a análise do Eu e de seus mecanismos de defesa, em detrimento da elucidação dos mecanismos inconscientes, como era feito antes.

Em 1920, Freud com a “segunda tópica”, teria feito do Eu um “sistema” ou uma “instância”, ajustando-o às modalidades dos conflitos psíquicos. Se antes, a referência principal de seu modelo do aparelho psíquico eram os diferentes tipos do funcionamento mental, isto é, o processo primário e o processo secundário, a partir da “segunda tópica” seriam as partes participantes do conflito que passariam a estar privilegiadas. Nessa nova articulação o Eu intervém como agente da defesa, o supereu como agente das interdições, e o Isso como pólo pulsional. O Eu a partir dessa descrição seria em grande parte inconsciente, produzindo com isso um alargamento da sua noção. O Eu, assim revisado, passou a ser principalmente um “mediador” que tentaria dar conta das exigências contraditórias produzidas pelas demais instâncias.

Mas, muito além das implicações meramente técnicas que os pós-freudianos quiseram ver na segunda tópica, principalmente os adeptos da “psicologia do Eu”, a “virada dos anos 20”, acentua a descoberta freudiana de que o ser falante é um animal desnaturalizado. Esta nova postura de Freud acentuou um funcionamento psíquico que contradizia a relação mecanicista prazer-desprazer, e indicava uma inércia repetitiva, que se opunha a qualquer progresso adaptativo através do aprendizado.

Com a “virada dos anos 20” o sofrimento do sintoma como gozo, passou a ser entendido como o benefício “primário”, pois a noção de benefício secundário não foi suficiente para explicar a permanência do sintoma: O gozo, estando além do princípio do prazer, não teria nenhuma utilidade para o Eu. Freud com a introdução da segunda tópica, retirou o postulado de prazer do campo que o Eu enfrenta. Esta retirada dos postulados de prazer aos quais o Eu se opunha, e a repetição como expressão da pulsão de morte, alheia à oposição princípio do prazer-princípio da realidade, foi a nova maneira como Freud passou a conceber a regulação do Eu. Foi neste sentido que a introdução da pulsão de morte foi necessária para dar conta da cisão entre a organização narcísica regulada pelo princípio do prazer, e a repetição, regulada por um “além do princípio do prazer” [20].

As conseqüências desta reformulação, no entanto mais do que técnicas, foram éticas. As funções classicamente atribuídas ao sujeito do conhecimento, como o pensamento, a percepção, o juízo, a memória, são para Freud, função do desejo. Para Freud, a psicanálise introduz uma subversão em relação à teoria clássica do conhecimento: o conhecimento é uma função do desejo, e não do Eu.


Ainda, mais: o Eu cindido

Em 1927 [21], Freud apontou a uma observação clínica, que o fez opinar mais uma vez sobre a divisão psíquica, porém de uma maneira diferente da observada por ele inicialmente na histeria: o fetichismo. Freud retomaria ainda a questão da cisão do Eu em 1938 num artigo intitulado "Clivagem do Eu no processo de defesa" [22]. Esta clivagem, tradução da palavra alemã spaltung, seria efeito, no caso do fetichismo, de um mecanismo de defesa que Freud denominou Verleugizung, traduzido por recusa, ou desmentido [23]. Estas propostas, embora introduzidas a partir de uma reflexão sobre a situação clínica caracterizada pelo fetichismo, possibilitaram uma nova verificação do funcionamento do Eu, e introduziram formalmente na teoria freudiana um modelo de funcionamento do Eu que não se restringe a esta situação psicopatológica particular, mas introduz como novidade a possibilidade de um Eu radicalmente cindido. Ou seja, se antes Freud descrevia a divisão do Eu em duas correntes não conciliáveis, e, aqui está a novidade, com esta nova observação, Freud admite que elas coexistem em forma paralela, sem produzir uma formação de compromisso, como ocorria na histeria.

Com a descrição do mecanismo da recusa, Freud demonstrou uma situação em que o Eu consegue ser triunfante ante uma realidade adversa ao narcisismo. O fetichista consegue transformar o horror ao genital feminino, em gozo do fetiche.

Outro tema examinado por Freud na mesma época foi o humor [24], e que é a maneira pela qual o Eu transforma o horror da morte, em afirmação de invulnerabilidade diante do desespero e do sofrimento, porém de uma maneira diferente da do fetichista. No humor, o supereu, núcleo do Eu, afirma rebeldemente a integridade do Eu, mesmo além da morte.

O texto freudiano sobre a cisão do Eu é de 1938. Fim da vida de Freud, começo da teoria de Lacan. Para Lacan o sujeito é primeiro objeto (voltamos à relação indicada no início deste texto entre o Eu e o Real). Quando o sujeito se pergunta o que é para o Outro como objeto, a resposta é dupla: por um lado o sujeito está barrado, é faltante, mas por outro lado ele é objeto a. Lacan caracteriza a divisão do Eu entre Sujeito barrado e o objeto a da fantasia, pelo mecanismo freudiano da Verleugnung, o mesmo mecanismo que Freud usou para explicar a produção do fetiche. No texto “Ciência e verdade” [25], Lacan introduziu a Ichspaltung (correlativa em Freud da Verleugnung) como característica da divisão constituinte do Sujeito. Assim para Lacan a cisão do Eu freudiana não é articulada com uma divisão do Eu entendida com o moi senão como uma divisão que afeta ao Eu como Je. A divisão que corresponderia ao Moi, seria a equivalente ao efeito da Verleugnung (denegação).



Notas
[1] Em 1967, no discurso à Escola Freudiana de Paris, publicado em Scilicet , Lacan retoma o i(a), o que na sua álgebra designa o Eu e o seu narcisismo e diz: “Assim funcoona o i(a) com o que se imaginam o Eu e seu narcisismo ao fazer de vestimenta a esse objeto que faz a miséria do sujeito. Isto porque o (a), causa do desejo, por estar à mercê do Outro, se angustia, pois em ocasiões se disfarça contrafobicamente com a autonomia do Eu, como o faz o caranguejo com qualquer carapaça".
1 In Écrits.
[3] FREUD, S., Proyecto de una psicologia para neurólogos, Biblioteca Niteva, vol. 1. pg 209.
[5] Ver Lacan “0 estádio do espelho como formador da função do Eu” (je), tal qual nos é revelado na experiência psicanalítica”, in Écrits.
[6] “Psi”, notação usada por Freud, neste texto para as células mnêmicas.
1 “Q”, notação usada por Freud, neste texto, para quantidade de excitação (haveria também as células “W” que ele associa à consciência e as células perceptivas “fi”). FREUD, S., Estudios sobre la histeria, in Biblioteca Nueva, vol 1, pg 39.
FREUD, S., “Concepto psicoanalítico de las pertubaciones psicopatógenas de la vision“, in Biblioteca Nueva, vol II, pg 1631.
LACAN, op. cit, nota 5.
S Traduzido por clivagem ou cisão. Termo usado por M. Klein como uma das manobras defensivas arcaicas do Eu, como manifestação da pulsão de morte na posição esquizoparanóide.
FREUD, S., “Duelo y melancolia”, in Biblioteca Nueva vol 11 pg. 2091.
[10] 10 Termo self, com freqüência utilizado sinonimamente com eu por M. Klein, pareceria sugerir a experiência do sujeito, e as suas fantasias sobre si próprio.
[11] 11 FREUD, S., “El chiste y su relación con lo inconsciente”, apartado C, parte 7: “El chiste y las espécies de lo cômico”, in Biblioteca Nueva, vol pg 1132.
[12] 11 FREUD, S., “Un recuerdo infantil de Leonardo de Vinci”, in Biblioteca Nueva, vol. l pg 1577.
[13] 11 FREUD, S., “Observaciones psicoanalíticas sobre un caso de paranóia”, in Biblioteca Nueva, vol II pg 1487.
[14] FREUD, S., “Introducion al narcisismo”, in Biblioteca Nueva, vol II, pg 2017.
[15] 11 FREUD, S., “El Humor” in Biblioteca Nueva, vol. III, pg. 2997.
[17] Referência às mudanças teóricas introduzidas por Freud a partir do texto “Além do princípio do prazer“ (Mas alla del principio del placer) in Biblioteca Nueva, vol III, pg. 2507.
[18] Eu, isso e supereu. Introduzida nos textos “0 eu e o Isso”. (El yo y el ello), in Biblioteca Nueva, vol. 11, pg. 2071.
[19] A psicologia do Ego é o estudo do desenvolvimento e estrutura do ego após Freud haver delineado o modelo estrutural em 1923. Diz a psicologia do Ego que à parte da redução das pulsões, existe toda uma área de desenvolvimento através da qual o Ego passa de uma maneira autônoma, ou seja, haveria um espaço psíquico fora das pulsões.
[20] FREUD, S., op. cit.
[21] FREUD, S., “Fetichismo”, in Biblioteca Nueva, vol. II, pg. 2993.
[22] FREUD, S., “Escision del Yo en el processo de defensa”, in Biblioteca Nueva, vol. III, pg. 3375.
[23] Tradução proposta por Lacan nas Conferências dos EUA, in Scilicet, 6n.

 

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